Por Abrasca

O Anuário Estatístico das Companhias Abertas, editado pela Abrasca, que circulará em setembro, traz um levantamento inédito mostrando o número de empregados nas empresas com ações negociadas na BM&FBovespa.

A crise econômica brasileira, que se aprofundou em 2015, afetou sensivelmente o mercado de trabalho. A taxa de desemprego no país fechou o ano em 8,5%, o que significou 8,6 milhões de pessoas desocupadas. Em junho de 2016 a taxa subiu para 11,3% o que correspondia a 11,6 milhões de desempregados.

O impacto da crise nas companhias abertas não foi diferente. No final do ano passado 3.634.098 pessoas trabalhavam para as 257 empresas pesquisadas, o que representou uma queda de 5,38% em relação aos 3.840.647 de dezembro de 2014. Dos 21 setores de atividades que operam essas companhias 15 reduziram o quadro de funcionários e seis aumentaram.

Os setores que mais contrataram foram o de Transporte e Logística (14,06%), Tecnologia da Informação (4,43%) Açúcar e Álcool (4,18%) e , Energia Elétrica (3,5%) e Serviços Financeiros (3,16%). Os segmentos que apresentaram os maiores percentuais de dispensa de trabalhadores foram o de Construção Civil e Mercado Imobiliário (47,89%), Petróleo e Gás, Petroquímica e Plástico (15,6%) , Siderurgia e Mineração (14,73%) e Máquinas e Equipamentos (7,14%).

AS VARIAÇÕES POSITIVAS
O aumento no setor de Transporte e Logística sofreu grande influência da Cosan, grupo de origem sucroalcooleira, que incorporou a América Latina Logística (ALL), formando a Rumo Logística S.A. e passou a fazer parte do setor. O número de empregados na Cosan, que em 2014 somava 1.487, pulou para 14.972 no final de 2015. Ainda assim, o levantamento mostra que algumas empresas elevaram o número de funcionários como foi o caso da Triunfo Participações que aumentou de 6.282 para 8.348, da Trevisa (de 364 para 524) da JSL (de 23.897 para 24.695) e da Localiza (de 6.282 para 6.424).

No setor de Tecnologia da Informação também houve aumento nas contrações. O número de empregados, passou de 24.585 para 25.675, uma alta de 4,4%.Das seis empresas cotadas na BM&FBovespa, apenas a CSU Cardsystem, reduziu o número de funcionários. O maior aumento foi verificado na Totvs que passou de 7.399 para 7.924 no final do ano passado, ou seja, houve a contratação de mais 525 trabalhadores, a maior parte de terceirizados. Na lista das companhias que mais contrataram aparece, em segundo lugar, a Link (de 2.653 para 2.995), seguida pela Valid (de 6.920 para 7.227).

No segmento de Açúcar e Álcool o número de empregados passou de 40.848 para 42.555. Esta alta de 4,18% foi basicamente em função do aumento das contrações feitas pela São Martinho, onde o número de colaboradores subiu de 10.036 para 12.451 no final de 2015, uma alta de 24%.

No setor de Energia Elétrica o número de empregados no final do ano passado somava 189.974 contra 183.456 em dezembro de 2014 o que significou um aumento de 3,55%. Grande parte desta expansão refletiu o crescimento do número de empregados na Renova que passou de 1.174 para 4.934. Deste total 4.594 eram terceirizados. Houve aumento também na Copel, Elektro, Eletropaulo e Ampla. A Eletrobras, a maior empresa do setor manteve praticamente estável o número de empregados na passagem de 2014 para 2015 (25.300 para 25.073) com redução na parcela de terceirizados, que caiu de 1.712 para 1.540.

Outro setor onde ocorreu aumento de contração foi no de Serviços Financeiro, que passou de 42.867 para 44.221 uma alta de 3,16%. O aumento foi puxado pelas seguradoras. A Porto Seguro fechou o ano com 30.627 empregados, 1.576 a mais que em 2014. A SulAmérica aumentou de 6.753 para 7.015 e a BB Seguridade de 146 para 163. A Cielo também elevou o número de funcionários de 1.992 para 2.052.

AS VARIAÇÕES NEGATIVAS
O setor que mais demitiu em 2015 foi o de Construção Civil. O número de empregados nas 11 companhias abertas analisadas somou 60.506 no final de 2015, uma queda de 48,1% em relação aos 116.623 registrados no final de 2014. As empresas que mais reduziram o quadro de pessoal foram a PDG Realty (de 14.370 para 3.156) a Rossi Residencial (de 14.667 para 7.855), a Tecnisa (de 8.385 para 4.985) e a Trisul (de 4.709 para 3.207).

No segundo lugar no ranking das demissões aparece o setor de Petróleo e Gás, Petroquímica e Plástico. Em dezembro de 2014 as 10 companhias abertas analisadas empregavam 411.958 pessoas, quadro que sofreu uma redução de 15,68% ao passar para 346.934 em dezembro de 2015.

Quem puxou esta queda foi a Petrobras. A empresa fez um corte de 16,4% no número de empregado, que caiu de 371.982 para 310.709 no final do ano passado. A maior redução foi no número de terceirizados que passou de 291.074 para 231.436. Isso significa que 59.638 profissionais ficaram sem emprego no final do ano passado. O quadro de funcionários contratos diretamente perdeu 1.635 profissionais ao passar de 80.908 para 79.273.

Além da Petrobras, quem fez uma redução relevante no setor foi a Braskem. A empresa cortou em cerca de 11% o numero de empregados, que passou de 31.043 em dezembro de 2014 para 27.589 no final do ano passado.

Em Máquinas e Equipamentos, setor que conta com 23 companhias com ações cotadas na BM&Fbovespa, 14 reduziram o quadro de funcionários, cinco aumentaram, duas mantiveram o mesmo número de empregados e duas estão em recuperação judicial. A redução mais expressiva foi feita pela Marcopolo. Em dezembro de 2014 a empresa tinha 22.037 empregados, numero que foi reduzido para 16.569, o que significou um corte de 24,8%.

A Forjas Taurus também fez um enxugamento expressivo reduzindo em 32,5% o número de empregados, que passou de 4.691 para 3.167 no final do ano passado. O mesmo ocorreu com a Kepler Weber, que fez um corte de 36,5% reduzindo para 1.735 o quadro de funcionários. As cinco empresas que aumentaram as contrações foram: Aço Altona, Baumer, Metal Frio, Weg e a Embraer (a empresa anunciou em 2016 um o Plano de Demissão Voluntária).

ABRASCA
Associação Brasileira das Companhias Abertas
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Fonte: http://www.revistari.com.br/206/1144